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São José vira modelo na gestão de buracos e recuperação de asfalto

Sistema integrado com a Casan monitora ocorrências em tempo real e já registrou mais de 8,6 mil buracos atendidos

São José vira modelo na gestão de buracos e recuperação de asfalto

Sistema integrado com a Casan monitora ocorrências em tempo real e já registrou mais de 8,6 mil buracos atendidos em 2026

A forma como São José cuida dos buracos abertos nas ruas virou referência em Santa Catarina. Nesta quinta-feira (15), uma equipe técnica das secretarias de Infraestrutura e Obras de Criciúma esteve no município para conhecer de perto o modelo de recuperação de pavimentos criado em parceria com a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan).

A visita foi motivada pelos resultados do convênio entre a prefeitura josefense e a companhia, apresentados na semana anterior ao prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola Rodrigues, o Vaguinho. A comitiva veio entender como funcionam a estrutura de trabalho, a fiscalização e as ferramentas tecnológicas usadas no acompanhamento dos serviços.

O foco do modelo são os buracos abertos durante obras da Casan, como consertos e ligações na rede de água e esgoto. Depois de cada intervenção, alguém precisa fechar o asfalto, e é justamente nessa etapa que São José organizou um sistema próprio de controle.

Como o sistema funciona

O coração da operação é a Sala de Gestão e Controle de Concessões, ligada à Secretaria de Infraestrutura. Ali, a equipe municipal usa a plataforma de gestão de serviços da Casan, conhecida como Sistema Aline, para acompanhar cada ocorrência.

Na prática, quando a Casan abre um trecho de rua, a informação chega ao sistema em tempo real. A prefeitura faz o levantamento e a medição do serviço, e as empresas contratadas são direcionadas para fazer a recuperação conforme a programação e as prioridades definidas.

Como as ocorrências são georreferenciadas, a equipe consegue agrupar demandas próximas e montar rotas diárias. Assim, em vez de atravessar a cidade para fechar um buraco isolado, as empresas concluem uma região inteira antes de seguir para a próxima, o que reduz deslocamentos e tempo parado.

O sistema também permite mudar a ordem dos serviços quando surge uma emergência. Além disso, guarda o histórico das intervenções e ajuda a controlar materiais, custos e o cumprimento dos contratos.

Uma estrutura construída ao longo de uma década

O modelo não surgiu de uma vez. Segundo o engenheiro da Secretaria de Infraestrutura, Nardi Arruda, o primeiro passo veio em 2014, quando o convênio com a Casan passou a prever o repasse dos recursos antes da execução dos reparos.

O avanço seguinte aconteceu em 2023, com a criação da sala de controle das concessões. A partir dali, a prefeitura passou a monitorar os serviços de forma efetiva, com rastreamento dos veículos, acompanhamento dos fiscais e controle de cada ordem de serviço.

Mais de 8,6 mil buracos em 2026

Os números mostram o tamanho do desafio. Somente neste ano, mais de 8,6 mil buracos ligados a intervenções da Casan foram contabilizados em São José, com uma média histórica de cerca de 20 ocorrências por dia útil.

Para dar conta da demanda, o município recebe cerca de R$ 700 mil por mês por meio do convênio. O valor é destinado à recuperação de asfalto, lajotas e calçadas afetados pelos serviços da companhia.

A estrutura conta com quatro veículos e seis profissionais em campo, responsáveis pela fiscalização e pelo levantamento das demandas. Na sala de gestão, mais quatro servidores, sendo um engenheiro e três auxiliares técnicos, cuidam do controle e da organização das informações.

O que dizem os envolvidos

O secretário de Infraestrutura de São José, Júlio Cézar da Silva, afirma que o volume de obras da Casan exigiu um sistema com medições específicas e acompanhamento permanente. Segundo ele, essa organização permite fiscalizar melhor os serviços e garantir que os reparos sejam feitos de forma planejada.

O presidente da Casan, Pedro Joel Horstmann, também elogiou a parceria e destacou a boa integração entre as equipes. A expectativa da companhia é que a visita ajude a melhorar o funcionamento do convênio de repavimentação em Criciúma.

O secretário de Infraestrutura de Criciúma, João Paulo Casagrande da Rosa, não escondeu a intenção de replicar o modelo. “Não é feio copiar aquilo que está dando certo”, disse, ao explicar que a ideia é levar a estrutura para a zeladoria, o tapa-buraco da Casan e o das ruas em geral.

O prefeito de São José, Orvino Coelho de Ávila, avaliou que o reconhecimento reforça a importância de planejamento e tecnologia no acompanhamento dos recursos públicos. Segundo ele, poder contribuir com a experiência de Criciúma é motivo de satisfação para o município.

Próximos passos

A partir da visita, a equipe de Criciúma vai avaliar como incorporar a tecnologia e os procedimentos de controle à rotina do município. Por lá, a proposta é ampliar o modelo para além das obras da Casan, incluindo também os reparos gerais nas ruas da cidade.

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