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Inflação em janeiro: IPCA tem menor resultado para o mês desde 1994; INPC fica estável

Bônus na conta de luz ajuda a desacelerar o IPCA; em 12 meses, INPC acumula 4,17%

Inflação em janeiro: IPCA tem menor resultado para o mês desde 1994; INPC fica estável

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (11) os resultados de dois dos principais índices de inflação do país em janeiro de 2024: o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que registrou 0,16%, e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que ficou estável (0%). Ambos refletem o impacto do Bônus Itaipu na conta de luz de milhões de brasileiros, mas divergem em públicos-alvo e efeitos econômicos.

IPCA: Menor inflação para janeiro em 30 anos

O IPCA, que mede o custo de vida para famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos, atingiu o menor patamar para um mês de janeiro desde 1994 (pré-Plano Real). A taxa de 0,16% representa uma desaceleração frente a dezembro/2023 (0,52%) e janeiro do ano passado (0,42%).

Principais influências:

  • Queda na energia elétrica (-14,21%): Impacto do Bônus Itaipu, que beneficiou 78 milhões de consumidores e reduziu o grupo Habitação em 3,08%.
  • Pressão de alimentos (0,96%): Alta no café moído (8,56%), tomate (20,27%) e cenoura (36,14%).
  • Transportes (+1,3%): Aumento em passagens aéreas (+10,42%) e ônibus urbano (+3,84%).
  • No acumulado em 12 meses, o IPCA soma 4,56%, acima do centro da meta do governo (3%), mas dentro do limite máximo de tolerância (4,5%).

INPC: Estabilidade com impacto direto no bolso dos mais pobres

Já o INPC – voltado para famílias com renda até 5 salários mínimos – registrou variação nula (0%), a menor desde agosto/2023 (-0,14%). O índice acumula alta de 4,17% em 12 meses.

Características únicas:

  • Alimentos pesam mais: O grupo alimentação desacelerou para 0,99%, mas ainda pressiona mais que no IPCA devido ao perfil da população pesquisada.
  • Reajustes sociais: O INPC é usado para calcular benefícios como salário mínimo e seguro-desemprego.

Assim como no IPCA:

  • A energia elétrica barateou (Habitação: -3,46%) graças ao Bônus Itaipu.
  • Alimentos e transportes também tiveram comportamentos similares.

Diferenças estruturais entre IPCA e INPC, por critério

Renda:
IPCA: 1 a 40 salários mínimos
INPC: Até 5 salários mínimos

Peso dos grupos:
IPCA: Transportes e avião pesam mais
INPC: Alimentos têm peso maior

Impacto Social:
IPCA: Referência para metas oficiais
INPC: Reajuste salarial e benefícios

Metodologia compartilhada

Ambos os índices têm coleta de preços nas mesmas regiões metropolitanas (Belém, Fortaleza, Rio de Janeiro etc.) e municípios como Goiânia e Aracaju. O gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves**, ressaltou que a estabilidade do INPC é uma “média entre altas pontuais e quedas”, enquanto o IPCA reflete uma desaceleração generalizada.

Perspectivas econômicas

Apesar do alívio pontual com a energia elétrica em janeiro*, especialistas alertam para pressões persistentes:

  • Café moído deve continuar subindo por problemas na safra.
  • Passagens aéreas podem sofrer novos reajustes devido à alta demanda.

Enquanto o governo comemora os efeitos do Bônus Itaipu, a manutenção da inflação dentro das metas dependerá do controle sobre alimentos combustíveis nos próximos meses*.

*Com informações da Agência Brasil

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