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Indústria catarinense cresce acima da média nacional

O desempenho econômico de Santa Catarina em 2024 reforça o histórico protagonismo industrial do estado no Brasil. De janeiro

Indústria catarinense cresce acima da média nacional

O desempenho econômico de Santa Catarina em 2024 reforça o histórico protagonismo industrial do estado no Brasil. De janeiro a novembro, a economia catarinense cresceu 5,6%, superando a média nacional de 3,8%, conforme o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) do Banco Central. Esse resultado reflete a diversificação da matriz produtiva local e o compromisso contínuo com a inovação e a competitividade.

Diferentemente de outras regiões, Santa Catarina foi um dos estados que menos se desindustrializou nas últimas décadas. Enquanto o país viu a participação da indústria no PIB encolher significativamente, o estado manteve uma base fabril que responde por cerca de 7% da produção industrial nacional. Esse desempenho é fruto de políticas setoriais e de um perfil econômico voltado tanto para a exportação quanto para o desenvolvimento tecnológico.

A indústria catarinense apresentou crescimento significativo nos últimos meses, impulsionada por segmentos como equipamentos elétricos (16,1%), máquinas e equipamentos (12%), metalurgia (10%) e vestuário (9,4%). Um dos destaques foi a indústria de motores elétricos, setor no qual o estado detém um protagonismo tanto nacional quanto internacional. O comércio ampliado também demonstrou vigor, avançando 7,7%, impulsionado pelo consumo de bens duráveis, como veículos, peças e eletrodomésticos. O setor de serviços cresceu 6,6%, com destaque para o turismo (9,5%) e os serviços de transporte (9,1%).

Esse desempenho é sustentado por um ecossistema industrial bem distribuído, com polos especializados em segmentos diversos — de têxteis e móveis no Vale do Itajaí a equipamentos eletroeletrônicos no Norte do estado. Além disso, o nível de emprego na indústria segue elevado, refletindo a solidez do setor. Contudo, o setor cerâmico enfrenta uma crise importante, puxada pelo aumento dos insumos, especialmente o gás natural, que desde 2019 tem subido acima da inflação, com um aumento superior a 300% nos preços tarifários.

Os números indicam que Santa Catarina continuará sendo um dos motores da economia nacional, consolidando-se como um exemplo de desenvolvimento equilibrado entre indústria, comércio e serviços. O desafio agora é ampliar os investimentos em infraestrutura e logística para sustentar esse ritmo de crescimento e manter o estado na vanguarda da produção industrial brasileira e ter melhor atenção com clusters importantes como os do Sul do estado.

Nesse contexto, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) tem elogiado as diretrizes do programa Nova Indústria Brasil do governo federal, mas mantém uma postura crítica em relação às deficiências da malha rodoviária estadual. O alto custo logístico, agravado pela precariedade das estradas, tem sido um entrave crescente para a competitividade industrial. Ainda assim, a agenda de infraestrutura do estado carece de uma visão estratégica que priorize projetos ferroviários — uma solução mais racional para o escoamento da produção para os portos e o fluxo de importação e exportação no médio e longo prazo. A ausência de investimentos consistentes nessa área comprometerá o dinamismo industrial catarinense nos próximos anos.

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Leonardo Mosimann Estrella

Administrador e jornalista profissional, especialista em marketing, comunicação pública, gestão de crise e gestão de pessoas. Mestre e doutorando em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental, com mais de 15 anos de experiência em políticas públicas e concessões. Cursa também Ciências Econômicas e é docente na área de Administração.